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As Organizações contra o assédio moral

As Organizações contra o assédio moral

Armando Correa de Siqueira Neto*

As dificuldades de gerir pessoas no cotidiano da vida profissional já são suficientes para tomar o tempo das cúpulas organizacionais, haja vista as transformações pelas quais os colaboradores passam constantemente. Por tal razão,  tornam-se mais ávidos por se engajar em processos nos quais tenham maior consciência, valorização e entrosamento com as lideranças.


 No entanto, há no mercado uma ação retrógrada e pouco humana de se relacionar com o pessoal das companhias. Trata-se do famigerado assédio moral.


Assédio moral nas organizações são aquelas situações em que os colaboradores são importunados com perguntas, propostas indelicadas, humilhações etc.


 Há ainda um bom número de pessoas com cargos, e sobretudo poder, que encontram prazer em assediar moralmente aqueles que lhes são próximos. Para estes casos, a ajuda psicoterapêutica pode ser um santo remédio, visto tal comportamento estar relacionado à perversão, um distúrbio psíquico que impõe dor e sofrimento àqueles que estão sob  jugo, nesta situação.


O modelo de liderança avançou tanto nos últimos tempos que se fala com grande inspiração sobre o líder-servo. Aquele que mais serve do que é servido. O desenvolvimento de suas competências é determinante para uma boa performance e  compartilhamento dos talentos existentes num dado departamento ou divisão organizacional.


 Itens fundamentais como a aprendizagem de mão-dupla, ética e transparência, responsabilidade social, fluxo ininterrupto de comunicação, motivação interna, boa delegação de tarefas, etc, demonstram, claramente, a consciência que se abre a respeito de como a valorização humana dentro das organizações conquistou respeito e ostenta a condição irrevogável de importância para a obtenção de melhores resultados diante do bravio mercado.


Contudo, além do eixo vertical líder-seguidor, as relações horizontais também são atingidas pelo assédio moral. Também entre alguns colegas existem  a humilhação e os maus tratos morais.


 Da mesma forma, se o prazer em assediar o próximo estiver no cerne deste comportamento, a indicação é a de se tratar também. Não obstante, sabe-se que vários colaboradores possuem forte personalidade, sejam eles líderes ou não e, tendo em vista as condições inadequadas de desenvolver relacionamentos que tiveram, encontraram na grosseria e na autoridade por imposição o único meio de se manter no cargo e defender, com medo, a sua condição empregatícia.


Dentre as formas de se assediar moralmente, os agressores costumam fragilizar e desestabilizar emocionalmente as suas vítimas, além de responsabilizá-las publicamente. Como resultado, as pessoas vitimadas sentem-se amedrontadas e a sua auto-estima e dignidade decrescem.
 Este expediente é comumente usado com a finalidade de se obter a demissão do colaborador, que chega ao desespero de “pedir as  contas” pelo  estado de abalo a que pode chegar, tendo em vista o assédio freqüente.


Seja qual for a agressão cometida contra o colaborador, ela deve ser contida.


 As organizações caminham para uma convivência cada vez mais ética e de boa qualidade de vida e, portanto, devem empunhar a bandeira das boas causas, especialmente a da proteção de seus membros mais estimados: os seres humanos que se dedicam à continuidade e ao crescimento profissional.


 Organizar e divulgar campanhas internas pode encorajar as pessoas a revelar certos segredos relacionados ao assédio.


 Fazer registros sistemáticos de dia e hora em que ocorreu a barbárie ajuda a promover um movimento que visa ao banimento de comportamentos ultrapassados e desumanos. Aliás, registre-se que magistrados lúcidos, inclusive na Justiça do Trabalho, têm reconhecido o direito à reparação por danos morais inflingidos  a colaboradores de todos os níveis de subordinação hierárquica.


 A luta contra o assédio moral no trabalho é um importante passo rumo à qualidade e à aprendizagem que permeiam as transformações necessárias à sobrevivência organizacional.


*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É mestrando em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfcursos@uol.com.br


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